26 de junho de 2017

borboletas azuis


Lilian Lovisi

Quando éramos play
e não pause
o mundo se movia em fast foward
as emoções aconteciam quadro-a-quadro
e o choro a gente pulava simplesmente,
deixava correr e pulava.
Não reclamávamos muito
e quando sim
deixávamos as palavras correrem soltas
meio igual ao choro
era um email daqui
de lá
e a vida seguia
sem ditar os rumos
por nosso cérebro tão ávido
de direções abstratas.
Eramos borboletas de todas as cores
não apenas azuis.
Na verdade
talvez você nunca percebeu
laranja era eu
tão laranja que
ofuscava seus olhos
com aquela luz como o sol
e os seus olhos tão azuis
raramente para o verde
só conseguia enxergar a ponta das minhas asas
estas sim,
com listras azuis.
seus olhos enxergavam o igual
não porque você fosse obtusa
pelo contrário,
você era aberta demais
enxergavam assim por comodidade da luz
sabe lentes ray ban?
tipo isso
escrever tipo isso
tipo assim
'num pretenso poema que só tem a forma
e não o conteúdo
ainda dirigido a dona
de todos os poemas e rendas?
ousadia
sempre fui assim
bem sabe tu
ele
e eu.


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